NBR 5735 – Cimento Portland de alto-forno (CP III): Características, Aplicações e Vantagens

NBR 5735A norma NBR 5735 – Cimento Portland de alto-forno (CP III) estabelece os requisitos técnicos, propriedades e aplicações desse tipo específico de cimento, amplamente utilizado em obras de engenharia civil no Brasil.

Criada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a NBR 5735 serve como referência para garantir qualidade, desempenho e durabilidade do cimento CP III em diferentes contextos construtivos.

O cimento Portland de alto-forno (CP III) é fabricado a partir da mistura de clínquer Portland, gesso e uma elevada proporção de escória granulada de alto-forno, subproduto da siderurgia.

Essa composição confere ao material características singulares, como maior durabilidade, resistência à agressividade de ambientes químicos e menor emissão de CO₂ em sua produção.

Neste artigo, exploraremos em detalhes os fundamentos da NBR 5735, a composição e propriedades do CP III, suas vantagens técnicas e ambientais, principais aplicações, normas relacionadas e recomendações práticas para engenheiros, arquitetos e construtores.

O que é a NBR 5735?

A NBR 5735 é a norma brasileira que define os critérios de classificação, ensaio, controle de qualidade e desempenho do Cimento Portland de alto-forno (CP III).

Ela estabelece requisitos obrigatórios relacionados à composição química, resistência mecânica, tempo de pega, finura e expansão, além de indicar limites para a proporção de escória granulada utilizada na mistura.

O objetivo principal da NBR 5735 é assegurar que o cimento CP III atenda a padrões mínimos de qualidade e desempenho, promovendo segurança, durabilidade e sustentabilidade nas obras em que é aplicado.

Composição do Cimento Portland de alto-forno (CP III) segundo a NBR 5735

De acordo com a NBR 5735, o cimento Portland de alto-forno (CP III) é produzido a partir de três componentes principais:

  1. Clínquer Portland – resultado da calcinação de calcário e argila, que fornece os compostos básicos responsáveis pela resistência mecânica do cimento.

  2. Gesso – adicionado em pequenas proporções para controlar o tempo de pega.

  3. Escória granulada de alto-forno – subproduto da indústria siderúrgica, obtido no resfriamento rápido da escória líquida do alto-forno.

A norma permite que o cimento CP III contenha entre 35% e 70% de escória granulada de alto-forno. Essa proporção elevada é o diferencial do CP III em relação a outros tipos de cimento Portland.

Vantagens do Cimento CP III segundo a NBR 5735

O uso do Cimento Portland de alto-forno (CP III), regulamentado pela NBR 5735, apresenta inúmeras vantagens técnicas, ambientais e econômicas:

  • Durabilidade superior – alta resistência a ambientes agressivos, como obras expostas a águas sulfatadas ou ambientes marinhos.

  • Baixo calor de hidratação – ideal para concretos massivos, reduzindo riscos de fissuração.

  • Sustentabilidade – menor emissão de CO₂ e aproveitamento de resíduos industriais (escória).

  • Custo-benefício – geralmente apresenta menor custo em relação a outros tipos de cimento de alto desempenho.

  • Boa trabalhabilidade – proporciona concretos mais plásticos e homogêneos.

Aplicações do Cimento CP III conforme a NBR 5735

Segundo a NBR 5735, o CP III é recomendado para diferentes tipos de obras:

  • Estruturas em ambientes agressivos – fundações, pontes, barragens, estruturas portuárias.

  • Concreto armado e protendido – em situações que exigem elevada resistência à corrosão.

  • Concreto massivo – em grandes volumes, como em barragens e bases industriais, devido ao baixo calor de hidratação.

  • Obras de saneamento – estações de tratamento de água e esgoto, canalizações e adutoras.

  • Pavimentação – utilizado em concreto para pavimentos rígidos, garantindo maior durabilidade.

Ensaios previstos na NBR 5735 para o CP III

Para garantir que o cimento Portland de alto-forno (CP III) atenda aos requisitos da NBR 5735, diversos ensaios são realizados:

  1. Resistência à compressão – avalia o ganho de resistência ao longo do tempo (3, 7, 28 e até 91 dias).

  2. Tempo de pega – determina a viabilidade de aplicação em campo.

  3. Expansibilidade – mede a estabilidade volumétrica do cimento.

  4. Finura – relacionada à granulometria, influencia na hidratação e no desenvolvimento de resistência.

  5. Análises químicas – determinam a proporção de escória, teor de álcalis e sulfatos.

NBR 5735 e a Sustentabilidade na Construção Civil

Um dos maiores destaques da NBR 5735 – Cimento Portland de alto-forno (CP III) é o seu papel na construção sustentável.

  • Redução de CO₂: o CP III emite menos dióxido de carbono em sua produção, já que parte significativa do clínquer é substituída por escória.

  • Economia circular: aproveitamento de resíduos industriais da siderurgia.

  • Obras mais duráveis: maior resistência química resulta em menor necessidade de manutenção.

  • Certificações ambientais: contribui para pontos em certificações como LEED e AQUA-HQE.

Comparação da NBR 5735 com outras Normas de Cimento

Além da NBR 5735 (CP III), outras normas brasileiras tratam de diferentes tipos de cimento:

  • NBR 5732 – Cimento Portland Comum (CP I e CP I-S)

  • NBR 5733 – Cimento Portland Composto (CP II)

  • NBR 5736 – Cimento Portland Pozolânico (CP IV)

  • NBR 11578 – Cimento Portland com Filler (CP II-F)

Comparando o CP III (NBR 5735) com outros tipos, fica evidente sua superioridade em termos de durabilidade e sustentabilidade, especialmente em obras expostas a agentes agressivos.

Recomendações Práticas para o Uso do CP III

Para garantir o melhor desempenho do CP III, conforme as diretrizes da NBR 5735, recomenda-se:

  • Armazenamento adequado – protegido da umidade e bem acondicionado.

  • Controle tecnológico do concreto – respeitar dosagens, relação água/cimento e aditivos.

  • Cura eficiente – essencial para o desenvolvimento da resistência e durabilidade.

  • Uso conforme o ambiente – priorizar o CP III em locais de agressividade química.

Considerações Econômicas sobre o CP III

Além das vantagens técnicas e ambientais, o CP III apresenta bom custo-benefício:

  • Menor custo inicial – devido ao uso de escória como insumo.

  • Redução de manutenção – vida útil prolongada das estruturas.

  • Aplicabilidade ampla – reduz a necessidade de diferentes tipos de cimento em grandes obras.

Conclusão

A NBR 5735 – Cimento Portland de alto-forno (CP III) é uma das normas mais relevantes da construção civil no Brasil, estabelecendo diretrizes para o uso de um material que alia desempenho técnico, durabilidade e sustentabilidade.

O CP III se destaca como uma solução moderna, versátil e alinhada às demandas ambientais atuais, sendo amplamente utilizado em obras de infraestrutura, saneamento, pavimentação e edificações.

Seguir os requisitos da NBR 5735 é fundamental para garantir que o cimento CP III cumpra sua função com segurança, eficiência e respeito ao meio ambiente.

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